12/4/08

Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Vulcão de exterior
Tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.
.
Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa,
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.
.
Miguel Torga

Parece eu

No comments: